Hormônios e Menopausa
A SOP mudou de nome: o que é a SOMP e o que muda para quem tem o diagnóstico
Por Dra. Karline Campos, endocrinologista · 6 min de leitura
A síndrome dos ovários policísticos, a SOP, mudou de nome. Desde maio de 2026, depois de um consenso internacional publicado na revista The Lancet, ela passou a se chamar síndrome ovariana metabólica poliendócrina, a SOMP. A mudança não é só de palavra: ela corrige uma ideia antiga e ajuda a entender por que o tratamento vai muito além do ovário.
Em resumo
- A SOP agora se chama síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP). Em inglês, PMOS.
- O nome antigo falava em "cistos", mas a condição não é uma doença de cistos no ovário.
- O novo nome destaca o que a condição realmente é: hormonal e metabólica, envolvendo insulina, peso, pele, humor e fertilidade.
- Quem já tinha o diagnóstico de SOP não precisa refazer exames. A condição é a mesma.
- O tratamento continua olhando para as causas, especialmente a resistência à insulina, e não só para o ciclo menstrual.
Por que o nome mudou
O termo “ovários policísticos” sempre causou confusão. Muitas mulheres entendiam que tinham cistos no ovário, e muitas mulheres com cistos funcionais comuns achavam que tinham SOP. Na prática, as pequenas imagens vistas no ultrassom são folículos que não completaram o amadurecimento, e não cistos no sentido de doença.
Além disso, o nome antigo colocava o ovário no centro de tudo, quando a condição envolve o corpo inteiro. O processo que levou ao novo nome durou anos, ouviu milhares de pacientes e profissionais de saúde em vários países e teve a participação de dezenas de organizações médicas e de pacientes. O resultado foi um nome que descreve melhor o que a condição é.
O que cada parte do novo nome quer dizer
Síndrome
É um conjunto de sinais e sintomas que aparecem juntos, com apresentações diferentes de mulher para mulher.
Ovariana
O ovário continua participando: ciclos irregulares, ovulação que falha e alteração na produção de hormônios fazem parte do quadro.
Metabólica
Esta é a parte mais importante da mudança. A resistência à insulina está presente em boa parte das mulheres com a condição, com ou sem excesso de peso, e aumenta o risco de pré-diabetes, diabetes tipo 2, gordura no fígado e alterações de colesterol.
Poliendócrina
Vários hormônios estão envolvidos ao mesmo tempo: insulina, androgênios (os hormônios considerados masculinos), hormônios que regulam a ovulação e o apetite.
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O que muda para quem já tem o diagnóstico
Para a paciente, pouca coisa muda no dia a dia. O diagnóstico continua válido, os critérios clínicos continuam os mesmos e ninguém precisa refazer exames por causa do nome novo. O que muda é a forma de olhar: a SOMP deixa de ser vista como “um problema de ovário que se resolve com anticoncepcional” e passa a ser entendida como uma condição que pede cuidado metabólico ao longo da vida.
Na prática, isso reforça pontos que a endocrinologia já defendia:
- investigar resistência à insulina, glicemia, colesterol e gordura no fígado;
- acompanhar composição corporal, e não só o peso;
- tratar pele, pelos, humor e sono como parte do quadro, e não como queixas separadas;
- planejar a fertilidade com antecedência, quando for o caso.
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Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico continua sendo clínico e segue diretrizes internacionais. Em geral, ele é feito quando há pelo menos dois de três critérios: ciclos irregulares ou ausentes, sinais de excesso de androgênios (acne, pelos em excesso, queda de cabelo no padrão masculino ou exames alterados) e alterações nos ovários no ultrassom ou nos exames hormonais. Antes de fechar o diagnóstico, é preciso excluir outras causas, como alterações da tireoide e da prolactina.
Como é o tratamento
Não existe um tratamento único. O plano depende dos sintomas, dos objetivos e dos exames de cada mulher:
- Resistência à insulina: alimentação organizada, treino de força e, quando indicado, medicação que melhora a ação da insulina.
- Peso e composição corporal: estratégia para reduzir gordura e preservar músculo, com metas medidas.
- Ciclo menstrual: regulação hormonal quando indicada, sempre dentro de um plano maior.
- Pele e pelos: tratamento dos sinais de excesso de androgênios.
- Fertilidade: quando existe o desejo de engravidar, o tratamento da causa metabólica costuma ajudar a ovulação voltar.
Quando procurar uma endocrinologista
- Seu ciclo é irregular há meses ou a menstruação sumiu.
- Você tem acne persistente, pelos em excesso ou queda de cabelo.
- Você recebeu o diagnóstico de SOP e só foi orientada a tomar anticoncepcional.
- Você tem dificuldade para perder peso, principalmente na barriga.
- Você quer engravidar e o ciclo não ajuda.
Como a Dra. Karline Campos conduz isso na prática
Na consulta, a Dra. Karline Campos olha a SOMP pelo lado hormonal e pelo lado metabólico ao mesmo tempo: investiga a resistência à insulina, pede os exames certos, mede a composição corporal e monta um plano que trata a causa, e não só o sangramento. O objetivo é que a paciente entenda o que está acontecendo e saiba o que fazer ao longo da vida.
Dra. Karline Campos, endocrinologista · CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357
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Perguntas frequentes
A SOP mudou de nome mesmo?
Sim. Desde maio de 2026, depois de um consenso internacional publicado na revista The Lancet, a síndrome dos ovários policísticos passou a se chamar síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP).
Preciso refazer meus exames?
Não. A condição é a mesma e o diagnóstico continua válido. O novo nome muda a forma de entender a condição, não os critérios.
SOMP tem cura?
É uma condição crônica, mas controlável. Com tratamento da resistência à insulina, ajuste da composição corporal e, quando necessário, regulação hormonal, os sintomas costumam melhorar bastante.
Quem tem SOMP consegue engravidar?
Na maioria dos casos, sim. A condição pode atrapalhar a ovulação, e o tratamento da causa metabólica costuma ajudar a restabelecer o ciclo.
Endocrinologista ou ginecologista?
Os dois podem acompanhar. A endocrinologista cuida da parte hormonal e metabólica, que o novo nome colocou em evidência.
Referências
- Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process. The Lancet, 2026.
- Endocrine Society. Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome: new name to improve diagnosis and care, 2026.
- Teede HJ et al. Recommendations from the 2023 International Evidence-based Guideline for the Assessment and Management of Polycystic Ovary Syndrome. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2023.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Resultados variam de pessoa para pessoa.
Neste artigo
Dra. Karline Campos
Endocrinologista titulada pela AMB. CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357
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