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Nutrição e metabolismo

Resistência à insulina: sintomas e como tratar

Por Dra. Karline Campos, endocrinologista · 10 min de leitura

Resistência à insulina é a condição em que as células do corpo respondem mal à insulina, o hormônio que leva a glicose do sangue para dentro delas. Para compensar, o pâncreas produz cada vez mais insulina. O excesso desse hormônio favorece o acúmulo de gordura abdominal, aumenta a fome e, com o tempo, leva ao pré-diabetes e ao diabetes tipo 2. Os sinais incluem fome frequente, sono após as refeições, dificuldade para emagrecer e manchas escuras no pescoço. O tratamento combina alimentação, exercício, sono e, quando indicado, medicação.

Em resumo

O que é resistência à insulina

A insulina é produzida pelo pâncreas depois das refeições. Sua função principal é abrir a “porta” das células para a glicose entrar e ser usada como energia. Ela também sinaliza ao corpo para armazenar gordura e interrompe a queima de gordura enquanto está alta.

Na resistência à insulina, as células (principalmente do músculo, do fígado e da gordura) deixam de responder bem a esse sinal. A glicose demora mais para entrar. O pâncreas percebe e produz mais insulina para forçar a entrada. Durante anos, isso funciona: a glicose fica normal, mas com insulina elevada. É a fase silenciosa.

O problema é que a insulina alta o tempo todo tem efeitos próprios:

Quando o pâncreas não consegue mais compensar, a glicose começa a subir: pré-diabetes e, depois, diabetes tipo 2.

Sintomas e sinais da resistência à insulina

A resistência à insulina não dá “sintoma de doença” no início. O que aparece são pistas:

Vídeo da Dra. Karline Campos

Sua glicose não estabiliza?

Assista aqui mesmo, sem sair do artigo.

Quais exames confirmam

Não existe um exame único e perfeito, mas a combinação de alguns permite o diagnóstico com segurança:

Glicose e insulina de jejum. Com os dois valores, calcula-se o índice HOMA-IR (uma fórmula que estima a resistência). Valores acima de cerca de 2,5 sugerem resistência, com variação conforme a população e o laboratório. Uma insulina de jejum elevada, mesmo com glicose normal, já é um sinal.

Hemoglobina glicada (HbA1c). Mostra a média da glicose dos últimos três meses. Entre 5,7% e 6,4% indica pré-diabetes; a partir de 6,5%, diabetes.

Curva glicêmica (teste oral de tolerância à glicose). Mede glicose, e às vezes insulina, antes e depois de beber uma solução com glicose. Detecta alterações que o jejum não mostra. Glicose de 140 a 199 mg/dL após duas horas indica pré-diabetes.

Perfil lipídico. Triglicerídeos altos com HDL baixo é um padrão típico. A relação triglicerídeos/HDL elevada é um marcador prático.

Enzimas hepáticas e ultrassom de abdômen. Para avaliar gordura no fígado.

Composição corporal. A avaliação com Evolt 360 mostra a gordura visceral e a massa muscular, dois determinantes da sensibilidade à insulina.

Quer entender o seu caso com uma endocrinologista?

Resistência à insulina e SOMP

A síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP), antiga síndrome dos ovários policísticos (SOP) é a principal causa de irregularidade menstrual e infertilidade em mulheres jovens, e a resistência à insulina está presente na maioria dos casos, inclusive em mulheres magras.

A insulina alta estimula o ovário a produzir mais androgênios (hormônios “masculinos”), o que atrapalha a ovulação e causa acne, pelos e queda de cabelo no padrão masculino. Ao mesmo tempo, os androgênios pioram a resistência à insulina. É um ciclo.

Por isso, tratar a resistência à insulina é parte central do tratamento da SOMP: melhora os ciclos, a fertilidade, a pele e o peso. A endocrinologista conduz esse tratamento em conjunto com a ginecologista.

Resistência à insulina, pré-diabetes e diabetes

A sequência é conhecida: resistência à insulina, anos de insulina alta com glicose normal, pré-diabetes (glicose de jejum entre 100 e 125 mg/dL, ou HbA1c entre 5,7% e 6,4%), e diabetes tipo 2.

A boa notícia é que a fase de resistência e pré-diabetes é reversível. Os grandes estudos de prevenção, como o Diabetes Prevention Program americano e o estudo finlandês de prevenção, mostraram que mudança de estilo de vida com perda moderada de peso reduz em mais da metade a progressão para diabetes. A intervenção precoce é o que separa quem reverte de quem progride.

Como tratar a resistência à insulina

O tratamento tem quatro pilares, e a ordem importa.

1. Alimentação. Não é “cortar carboidrato”, é reorganizar o prato:

2. Exercício. O músculo é o principal “consumidor” de glicose do corpo, e o exercício faz a glicose entrar nas células sem depender tanto da insulina. Treino de força de duas a três vezes por semana, somado a atividade aeróbia, é a combinação com mais evidência. Caminhar 10 a 15 minutos após as refeições também ajuda a controlar a glicose.

3. Sono e estresse. Dormir mal, por poucas horas ou com apneia, piora a resistência à insulina em poucos dias. O cortisol elevado do estresse crônico tem o mesmo efeito.

4. Medicação, quando indicada. Existem medicamentos sensibilizadores da insulina, usados há décadas, com boa segurança, indicados em pré-diabetes, SOMP e resistência importante que não responde às medidas anteriores. Em pessoas com obesidade, os análogos de GLP-1 também melhoram a sensibilidade à insulina. A decisão de usar, qual e por quanto tempo é individual e feita em consulta.

5. Tratar o que agrava. Hipotireoidismo, menopausa, deficiência de vitamina D e uso de alguns medicamentos (como corticoides) pioram a resistência e precisam ser considerados.

Quando procurar uma endocrinologista

Como a Dra. Karline Campos conduz isso na prática

Resistência à insulina é um dos diagnósticos que mais faço em quem chega dizendo “eu como pouco e não emagreço”. Muitas vezes a pessoa nunca dosou insulina, só glicose, e a glicose estava normal. Na consulta, peço os exames certos, incluindo insulina de jejum, HbA1c e perfil lipídico, e faço a avaliação de composição corporal com Evolt 360 para ver gordura visceral e massa muscular. Quando o peso é a queixa, a calorimetria indireta define o quanto comer. O plano prioriza proteína, treino de força e sono; a medicação entra quando há indicação. Nos retornos, acompanhamos os exames e a composição corporal, e não só o peso. Atendo poucos pacientes por dia para fazer isso com atenção, nas unidades de Campo Grande, Barra da Tijuca e Recreio, no Rio, e em Indaiatuba, em São Paulo.

Dra. Karline Campos, endocrinologista · CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357

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Perguntas frequentes

Fome frequente, vontade de doce, sonolência após as refeições, gordura abdominal, dificuldade para emagrecer, manchas escuras no pescoço e axilas e pequenas verrugas de pele. Muitas pessoas não têm sintoma nenhum e descobrem pelos exames.

Ela pode ser revertida na maioria dos casos com alimentação, exercício, sono e perda de gordura abdominal. Como a predisposição costuma ser genética, os hábitos precisam ser mantidos para que ela não volte.

Glicose e insulina de jejum, com cálculo do HOMA-IR, são o ponto de partida. Hemoglobina glicada, perfil lipídico e, em alguns casos, curva glicêmica complementam. O exame clínico (cintura, acantose) faz parte do diagnóstico.

Ela dificulta o emagrecimento e favorece o acúmulo de gordura abdominal, porque a insulina alta bloqueia a queima de gordura e aumenta a fome. Tratar a resistência costuma destravar o emagrecimento.

Sim, com qualidade e quantidade ajustadas. O que mais importa é evitar açúcar, bebidas adoçadas e ultraprocessados, combinar o carboidrato com proteína e fibra, e ajustar a quantidade ao gasto e ao exercício.

Não. A resistência à insulina vem antes: a glicose ainda está normal, mas a insulina está alta. Pré-diabetes é quando a glicose já começou a subir. Um pode evoluir para o outro se não for tratado.

Referências

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Resultados variam de pessoa para pessoa.

Neste artigo

Dra. Karline Campos

Endocrinologista titulada pela AMB. CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357

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