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Composição corporal

Gordura visceral: o que é e como medir

Por Dra. Karline Campos, endocrinologista · 9 min de leitura

Gordura visceral é a gordura acumulada dentro do abdômen, ao redor de órgãos como fígado, intestino e pâncreas. Diferente da gordura sob a pele, ela é metabolicamente ativa: libera substâncias inflamatórias e ácidos graxos que aumentam a resistência à insulina, o colesterol ruim, a pressão e o risco de diabetes e infarto. Ela pode ser estimada pela medida da cintura e avaliada com mais precisão por métodos como a bioimpedância multifrequencial (Evolt 360), a tomografia e a ressonância.

Em resumo

O que é gordura visceral

O corpo guarda gordura em dois compartimentos principais:

A gordura visceral não é um depósito passivo. Ela funciona como um órgão endócrino: produz substâncias inflamatórias (citocinas), libera ácidos graxos direto para o fígado pela veia porta e reduz a produção de adiponectina, um hormônio protetor. O resultado é um ambiente que favorece resistência à insulina, esteatose hepática (gordura no fígado), dislipidemia e hipertensão.

Por que ela é tão associada a risco metabólico

Duas pessoas com o mesmo peso e o mesmo IMC podem ter riscos completamente diferentes dependendo de onde a gordura está. Isso explica dois fenômenos frequentes no consultório:

A gordura visceral está associada, com evidência consistente, a:

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Como medir gordura visceral

1. Circunferência da cintura

É a medida mais simples e ainda uma das mais úteis. Mede-se com fita métrica no ponto médio entre a última costela e o osso do quadril, ou na altura do umbigo, com a pessoa em pé, ao final de uma expiração normal.

Os pontos de atenção mais usados nas diretrizes brasileiras e internacionais:

A cintura não separa gordura visceral de subcutânea, mas se correlaciona bem com a quantidade de gordura visceral na maioria das pessoas.

2. Relação cintura-estatura

Divide-se a cintura pela altura, ambas em centímetros. Valores acima de 0,5 indicam maior risco, independentemente do sexo. É uma regra prática: a cintura deve ter menos que metade da altura.

3. Bioimpedância multifrequencial (Evolt 360)

A bioimpedância mede a resistência do corpo à passagem de uma corrente elétrica de intensidade imperceptível. Como músculo, gordura e água conduzem eletricidade de forma diferente, o aparelho estima a composição corporal.

O Evolt 360 usa múltiplas frequências e análise segmentada (tronco, braços e pernas separados), o que permite uma estimativa da gordura visceral em uma escala própria, além de massa muscular por segmento, gordura total, água corporal e taxa metabólica basal estimada.

Vantagens: é rápido (cerca de um minuto), não invasivo, sem radiação, e ideal para acompanhar a evolução ao longo do tratamento. Limitações: é uma estimativa, sensível a hidratação, exercício recente e refeição. Por isso o exame tem preparo (jejum de algumas horas, sem treino no dia, bexiga vazia) e deve ser repetido sempre nas mesmas condições.

4. Exames de imagem

Tomografia e ressonância medem a área de gordura visceral com precisão e são a referência nos estudos científicos. Na prática clínica, ficam reservadas para situações específicas por custo e, no caso da tomografia, radiação. A densitometria (DEXA) com software de composição corporal também fornece uma estimativa confiável. O ultrassom abdominal identifica a gordura no fígado, que anda junto com a visceral.

5. Exames de sangue que "denunciam" a gordura visceral

Não medem a gordura diretamente, mas mostram suas consequências: triglicerídeos altos, HDL baixo, glicose e insulina elevadas (índice HOMA-IR), enzimas hepáticas alteradas (ALT, GGT), ácido úrico alto, proteína C-reativa aumentada.

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Como reduzir gordura visceral

A boa notícia: a gordura visceral é a primeira a responder quando o tratamento é bem conduzido. Ela é mais “mobilizável” que a subcutânea.

Déficit calórico moderado com proteína adequada. Emagrecer reduz gordura visceral. O déficit deve ser moderado para preservar o músculo, e a proteína, suficiente (em geral 1,2 a 1,6 g por quilo por dia, ajustada ao caso). Para calibrar o quanto comer, a calorimetria indireta mede o gasto energético de repouso real.

Treino de força e exercício aeróbio. O aeróbio moderado a intenso tem efeito direto sobre a gordura visceral. O treino de força melhora a sensibilidade à insulina e protege o músculo. A combinação dos dois é o que a evidência recomenda.

Sono. Dormir pouco eleva o cortisol e favorece o acúmulo abdominal.

Álcool. O consumo regular está fortemente associado a gordura visceral e no fígado. Reduzir é uma das medidas com resposta mais rápida.

Menos açúcar e ultraprocessados. Frutose em excesso e alimentos ultraprocessados alimentam a gordura visceral e hepática.

Tratar a resistência à insulina. Quando está presente, tratá-la com alimentação, exercício e, quando indicado, medicação específica acelera a resposta.

Avaliar hormônios. Menopausa, hipotireoidismo e testosterona baixa no homem favorecem o acúmulo visceral e precisam entrar na conta.

Medicação para obesidade. Em pessoas com indicação, os análogos de GLP-1 reduzem a gordura visceral de forma proporcional ao emagrecimento. A decisão é médica e individual.

Quando procurar uma endocrinologista

Como a Dra. Karline Campos conduz isso na prática

Gordura visceral é o número que mais me interessa no primeiro encontro, muito mais que o peso. Por isso a avaliação de composição corporal com Evolt 360 faz parte da consulta: em um minuto, tenho a estimativa de gordura visceral, a massa muscular de cada segmento e a água corporal, e repito o exame nos retornos para ver a evolução real. Cruzo esses dados com a medida da cintura e com os exames de sangue. Quando o emagrecimento é o objetivo, a calorimetria indireta define quanto o corpo gasta de verdade. A partir daí, montamos o plano: alimentação, treino, sono e tratamento do que estiver alterado. Atendo poucos pacientes por dia para acompanhar esses números com atenção, nas unidades de Campo Grande, Barra da Tijuca e Recreio, no Rio de Janeiro, e em Indaiatuba, em São Paulo.

Dra. Karline Campos, endocrinologista · CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357

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Perguntas frequentes

Depende do método. Na bioimpedância, cada aparelho usa uma escala própria e o laudo indica a faixa de referência. Na tomografia, área acima de 100 cm² é considerada elevada. Na prática, a cintura abaixo de 80 cm (mulheres) e de 90 a 94 cm (homens) e a relação cintura-estatura abaixo de 0,5 são bons indicadores.

Medindo a cintura e dividindo pela altura: se der mais de 0,5, há chance de gordura visceral aumentada. Barriga dura e projetada para frente, mesmo com braços e pernas finos, é outro sinal. A confirmação vem com bioimpedância multifrequencial ou imagem.

Sim, e é uma das gorduras que mais responde. O exercício aeróbio de intensidade moderada a alta e o treino de força, combinados, reduzem gordura visceral mesmo antes de o peso cair muito.

Resistência à insulina, gordura no fígado, aumento de triglicerídeos, pressão alta e inflamação crônica. Em conjunto, elevam o risco de diabetes tipo 2, infarto e AVC.

Pode. É comum em pessoas sedentárias, com pouca massa muscular, consumo de álcool ou histórico familiar de diabetes. Por isso a composição corporal importa mais que o peso.

As primeiras mudanças costumam aparecer em avaliações de 8 a 12 semanas com plano bem conduzido. O ritmo varia conforme o ponto de partida, a presença de resistência à insulina e a adesão. Resultados variam de pessoa para pessoa.

Referências

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Resultados variam de pessoa para pessoa.

Neste artigo

Dra. Karline Campos

Endocrinologista titulada pela AMB. CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357

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