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Saúde integrativa

Sono e hormônios: como dormir mal atrapalha o emagrecimento

Por Dra. Karline Campos, endocrinologista · 7 min de leitura

Você segue o plano alimentar, treina, e mesmo assim o peso não anda. Antes de mudar a dieta de novo, vale olhar para o sono. Dormir pouco ou mal mexe com os hormônios que controlam a fome, o estresse e o uso da glicose, e isso pode travar o emagrecimento. Neste artigo, você entende essa ligação e o que ajuda a dormir melhor.

Em resumo

Os hormônios que o sono regula

Grelina e leptina: o par da fome

A grelina é produzida principalmente pelo estômago e aumenta a fome. A leptina é produzida pela gordura e avisa ao cérebro que há energia suficiente. Em um estudo clássico com homens jovens saudáveis, apenas duas noites dormindo cerca de 4 horas foram suficientes para reduzir a leptina, aumentar a grelina e aumentar a fome, principalmente por alimentos ricos em carboidrato. Na prática, isso ajuda a explicar a vontade de doce e de “beliscar” depois de uma noite ruim.

Cortisol: o ritmo fora do lugar

O cortisol segue um ritmo: sobe de manhã, para ajudar a despertar, e cai ao longo do dia. A privação de sono pode alterar esse ritmo e manter o cortisol mais alto no fim do dia, o que favorece mais apetite e sono ainda mais leve. É um ciclo que se retroalimenta.

Insulina: o açúcar demora mais para baixar

Poucas noites de sono restrito já pioram a sensibilidade à insulina em pessoas saudáveis. Com a insulina funcionando pior, o corpo tende a acumular mais gordura abdominal e a sentir mais fome.

Dormir mal muda o que você perde na dieta

Um estudo publicado em 2010 comparou adultos com sobrepeso seguindo a mesma dieta com restrição de calorias, mas com tempos de sono diferentes. Quando dormiam menos, perderam proporcionalmente menos gordura e mais massa magra, além de sentirem mais fome. Ou seja: o sono curto não só dificulta a perda de peso, como piora a qualidade do que se perde.

Perder músculo é um problema, porque o músculo é o principal destino da glicose e ajuda a manter o gasto de energia. Por isso, o sono entra no plano de emagrecimento junto com proteína e treino de força.

Vídeo da Dra. Karline Campos

Não adianta ter o melhor roteiro se o seu corpo não aguenta

Assista aqui mesmo, sem sair do artigo.

Quanto dormir

A recomendação conjunta da American Academy of Sleep Medicine e da Sleep Research Society é que adultos durmam 7 horas ou mais por noite, de forma regular. Dormir menos do que isso com frequência está associado a ganho de peso, obesidade, diabetes, hipertensão e doença cardiovascular. Na prática, a maioria dos adultos se sente bem entre 7 e 9 horas.

Mais importante do que uma noite longa no fim de semana é a regularidade: horários parecidos para deitar e acordar, todos os dias.

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Apneia do sono: quando o problema não é só a rotina

A apneia obstrutiva do sono acontece quando a via aérea se fecha repetidamente durante a noite, causando pausas na respiração e despertares curtos, que a pessoa nem percebe. Ela é mais comum em pessoas com obesidade, homens e mulheres depois da menopausa.

Sinais de alerta:

A apneia piora a resistência à insulina, a pressão e o cansaço, e dificulta o emagrecimento. O diagnóstico é feito com exame do sono, como a polissonografia, e o tratamento envolve outros especialistas quando necessário. A perda de peso costuma melhorar a apneia, e tratar a apneia costuma facilitar o emagrecimento.

Higiene do sono: o que ajuda no dia a dia

Na perimenopausa e na menopausa, calorões e suores noturnos também atrapalham o sono e merecem tratamento.

Quando procurar uma endocrinologista

Como a Dra. Karline Campos conduz isso na prática

Na consulta, a Dra. Karline Campos pergunta sobre o sono com o mesmo cuidado com que olha os exames: horários, qualidade, ronco, calorões e cansaço durante o dia. Ela investiga resistência à insulina, fase hormonal e composição corporal, e inclui o sono como parte do plano de emagrecimento. Quando há suspeita de apneia, orienta a investigação com exame do sono.

Dra. Karline Campos, endocrinologista · CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357

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Perguntas frequentes

Dormir pouco com frequência está associado a maior fome, pior controle da glicose e maior risco de ganho de peso. O sono não é o único fator, mas pesa bastante.

Estudos sugerem que, em quem dorme pouco, aumentar o tempo de sono pode reduzir a ingestão de calorias. O sono é um pilar do tratamento, junto com alimentação, treino e acompanhamento.

Remédio para dormir não trata a causa e pode ter efeitos indesejados. A investigação começa pela rotina, por condições como apneia e pelos sintomas hormonais.

Consegue, mas costuma ser mais difícil sem tratar a apneia. Tratar as duas coisas juntas costuma dar melhores resultados.

Não há evidência de que a melatonina seja tratamento para emagrecer. Ela pode ter uso em situações específicas do sono, com orientação médica.

Referências

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Resultados variam de pessoa para pessoa.

Neste artigo

Dra. Karline Campos

Endocrinologista titulada pela AMB. CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357

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