Hormônios e Menopausa
Tireoidite de Hashimoto: o que é, sintomas e acompanhamento
Por Dra. Karline Campos, endocrinologista · 7 min de leitura
Muita gente descobre a tireoidite de Hashimoto por acaso, num exame de rotina que mostra o anti-TPO alto. Outras chegam ao diagnóstico depois de meses de cansaço, frio e ganho de peso. Hashimoto é uma doença autoimune comum, principalmente em mulheres, e na maioria das vezes tem acompanhamento simples. Neste artigo, você entende o que ela é, como evolui, quando precisa de remédio e o que é mito.
Em resumo
- Hashimoto é uma inflamação autoimune da tireoide: o sistema imunológico passa a atacar a própria glândula.
- O anti-TPO positivo é o marcador mais comum, mas ter o anticorpo não significa, sozinho, precisar de remédio.
- Com o tempo, parte das pessoas evolui para hipotireoidismo. Por isso o acompanhamento com TSH é periódico.
- A levotiroxina é indicada quando a tireoide passa a produzir pouco hormônio, e não apenas pelo anticorpo alto.
- Dieta sem glúten para todos e suplementos em dose alta não têm evidência de benefício na maioria dos casos.
O que é a tireoidite de Hashimoto
A tireoide é uma glândula em forma de borboleta na frente do pescoço. Ela produz os hormônios T4 e T3, que regulam o ritmo de funcionamento do corpo: energia, temperatura, intestino, coração, pele e cabelo.
Na tireoidite de Hashimoto, o sistema imunológico produz anticorpos e células de defesa que atacam a tireoide. Essa inflamação é lenta e pode durar anos. Aos poucos, parte do tecido que produz hormônio é substituída, e a glândula perde capacidade.
É a causa mais comum de hipotireoidismo em regiões com oferta adequada de iodo, como o Brasil. É bem mais frequente em mulheres, tem forte componente familiar e costuma aparecer junto com outras doenças autoimunes, como vitiligo, doença celíaca e diabetes tipo 1.
Como é feito o diagnóstico
Anticorpos
O anti-TPO (antitireoperoxidase) é o anticorpo mais usado. O antitireoglobulina também pode estar positivo. Anticorpo positivo confirma que existe autoimunidade na tireoide, mas não diz se a glândula está funcionando bem ou mal.
Função da tireoide
O TSH e o T4 livre mostram como está a produção de hormônio:
- TSH e T4 livre normais: a tireoide ainda funciona bem, mesmo com anticorpo positivo.
- TSH alto e T4 livre normal: é o hipotireoidismo subclínico, uma fase intermediária.
- TSH alto e T4 livre baixo: é o hipotireoidismo propriamente dito.
Ultrassom
O ultrassom pode mostrar a glândula com textura irregular, típica da inflamação, e também identificar nódulos. Nem todo paciente precisa dele, mas ele é útil quando há alteração no exame do pescoço.
Um cuidado prático: suplementos com biotina, comuns em fórmulas para cabelo e unha, podem alterar o resultado dos exames de tireoide. Vale avisar na consulta e, em geral, suspender alguns dias antes da coleta, conforme orientação médica.
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Como funciona a primeira consulta com a Dra. Karline Campos
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Sintomas e evolução
Na fase inicial, muitas pessoas não sentem nada. Quando a produção de hormônio cai, aparecem os sintomas do hipotireoidismo:
- Cansaço e sonolência.
- Sensação de frio.
- Pele seca e queda de cabelo.
- Intestino preso.
- Inchaço e ganho de peso, em geral discreto.
- Menstruação irregular ou mais volumosa.
- Desânimo, lentidão e dificuldade de concentração.
Mais raramente, no início da inflamação, a tireoide pode liberar hormônio em excesso por um período curto, com palpitação e ansiedade. Essa fase é passageira.
A evolução é individual. Algumas pessoas passam a vida inteira com anticorpo positivo e tireoide normal. Outras evoluem para hipotireoidismo em alguns anos. Não há como prever com precisão, e é por isso que o acompanhamento importa.
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Quando tratar com levotiroxina
A levotiroxina repõe o hormônio que a tireoide deixou de produzir. As diretrizes da American Thyroid Association orientam o tratamento principalmente quando:
- Existe hipotireoidismo, com TSH alto e T4 livre baixo.
- O TSH está persistentemente acima de 10 mUI/L, mesmo com T4 livre normal.
- Em hipotireoidismo subclínico com TSH abaixo de 10, a decisão é individual, considerando sintomas, idade, anticorpos, risco cardiovascular e desejo de engravidar.
Anti-TPO positivo com TSH normal, em geral, não é motivo para começar remédio. A conduta é acompanhar o TSH periodicamente.
Quem usa levotiroxina precisa de alguns cuidados para o remédio funcionar bem: tomar em jejum, com água, de 30 a 60 minutos antes do café da manhã, e longe de cálcio, ferro e alguns outros medicamentos. A dose é ajustada pelo TSH, e mudanças de marca ou de horário podem mexer no resultado. Leia mais sobre a tireoide e o seu acompanhamento.
Gestação merece atenção especial
Mulheres com Hashimoto que desejam engravidar ou que estão grávidas precisam de acompanhamento mais próximo, porque a necessidade de hormônio aumenta na gestação e o TSH tem metas específicas nessa fase.
Mitos e verdades sobre Hashimoto
"Todo mundo com Hashimoto deve cortar o glúten"
Não há evidência de que a dieta sem glúten beneficie todas as pessoas com Hashimoto. A doença celíaca é mais comum em quem tem doença autoimune da tireoide, e, nesses casos, retirar o glúten é essencial. Por isso, a investigação de doença celíaca pode ser indicada. Sem esse diagnóstico, cortar o glúten por conta própria costuma restringir a alimentação sem ganho comprovado.
"Selênio cura Hashimoto"
Alguns estudos mostram que o selênio pode reduzir os níveis de anticorpos, mas não há evidência consistente de que ele evite a evolução para hipotireoidismo ou melhore sintomas. Selênio em excesso também faz mal. Se for considerado, deve ser com indicação e dose definida, e não por conta própria.
"Iodo ajuda a tireoide"
Em quem tem Hashimoto, iodo em excesso pode piorar a função da tireoide. O sal iodado da alimentação comum é suficiente para a maioria das pessoas.
Quando procurar uma endocrinologista
- Seu anti-TPO veio positivo em algum exame.
- Seu TSH veio alterado, mesmo que pouco.
- Você tem cansaço, frio, pele seca e intestino preso sem explicação.
- Você tem Hashimoto e quer engravidar ou está grávida.
- Você usa levotiroxina e ainda não se sente bem.
Como a Dra. Karline Campos conduz isso na prática
Na consulta, a Dra. Karline Campos examina o pescoço, interpreta TSH, T4 livre e anticorpos dentro do contexto de cada pessoa e define se é momento de acompanhar ou de tratar. Para quem já usa levotiroxina, ela revisa a forma de tomar o remédio e os fatores que interferem na absorção. Quando os sintomas persistem com a tireoide controlada, a investigação continua, porque cansaço e ganho de peso costumam ter mais de uma causa.
Dra. Karline Campos, endocrinologista · CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357
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Perguntas frequentes
Hashimoto tem cura?
Não existe tratamento que elimine a autoimunidade. Mas a doença tem controle simples na maioria dos casos, e quem precisa de levotiroxina costuma levar uma vida normal com a dose certa.
Anti-TPO alto é perigoso?
Não, por si só. Ele indica autoimunidade e maior chance de evoluir para hipotireoidismo, por isso pede acompanhamento do TSH.
Preciso tomar remédio para sempre?
Quando o hipotireoidismo por Hashimoto está estabelecido, o uso costuma ser contínuo, com ajustes de dose ao longo da vida.
Hashimoto pode virar câncer?
Hashimoto não é câncer. Nódulos podem aparecer em qualquer tireoide e são avaliados pelo ultrassom, com os critérios habituais.
Dieta pode baixar o anti-TPO?
Uma alimentação equilibrada faz bem à saúde como um todo, mas não há dieta comprovada para zerar anticorpos ou curar a doença.
Referências
- Jonklaas J et al. Guidelines for the Treatment of Hypothyroidism: prepared by the American Thyroid Association Task Force on Thyroid Hormone Replacement. Thyroid, 2014.
- Chaker L, Bianco AC, Jonklaas J, Peeters RP. Hypothyroidism. The Lancet, 2017.
- Caturegli P, De Remigis A, Rose NR. Hashimoto thyroiditis: clinical and diagnostic criteria. Autoimmunity Reviews, 2014.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Resultados variam de pessoa para pessoa.
Neste artigo
Dra. Karline Campos
Endocrinologista titulada pela AMB. CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357
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