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Hormônios e Menopausa

Hipotireoidismo: sintomas, diagnóstico e tratamento

Por Dra. Karline Campos, endocrinologista · 10 min de leitura

Hipotireoidismo é a condição em que a tireoide produz menos hormônio do que o corpo precisa. Os sintomas mais comuns são cansaço, sensibilidade ao frio, pele seca, intestino preso, queda de cabelo, dificuldade de concentração e ganho discreto de peso. O diagnóstico é feito com exames de sangue (TSH e T4 livre), e a causa mais frequente no Brasil é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune. O tratamento é a reposição do hormônio tireoidiano, com ajuste de dose individualizado.

Em resumo

O que a tireoide faz

A tireoide é uma glândula em forma de borboleta na base do pescoço. Ela produz dois hormônios, o T4 e o T3, que funcionam como o “acelerador” do metabolismo: regulam a velocidade com que as células gastam energia, a temperatura corporal, os batimentos cardíacos, o funcionamento do intestino, a memória e até o ciclo menstrual.

Quem comanda a tireoide é a hipófise, uma glândula no cérebro, por meio do TSH (hormônio estimulante da tireoide). Quando a tireoide produz pouco hormônio, a hipófise aumenta o TSH para tentar estimulá-la. Por isso, no hipotireoidismo, o TSH sobe.

Sintomas do hipotireoidismo

Como o hormônio tireoidiano age em todo o corpo, os sintomas são variados e, no início, sutis:

Nenhum desses sintomas é exclusivo do hipotireoidismo. Muitos se confundem com depressão, menopausa, anemia e falta de sono. É por isso que o diagnóstico depende dos exames.

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Como funciona a primeira consulta com a Dra. Karline Campos

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Causas: Hashimoto e outras

Tireoidite de Hashimoto. É a causa mais comum em regiões com iodo suficiente, como o Brasil. O sistema imunológico produz anticorpos contra a própria tireoide (principalmente o anti-TPO), causando inflamação crônica e destruição gradual da glândula. É muito mais frequente em mulheres, costuma ter histórico familiar e pode estar associada a outras doenças autoimunes, como vitiligo, doença celíaca e diabetes tipo 1.

Outras causas:

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Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico é laboratorial:

Hipotireoidismo subclínico é quando o TSH está elevado, mas o T4 livre ainda é normal. É comum, muitas vezes sem sintomas, e nem sempre precisa de tratamento. A decisão depende do valor do TSH (acima de 10 costuma justificar tratamento), da presença de anticorpos, de sintomas, da idade, de gestação ou desejo de engravidar, e de fatores cardiovasculares. Um TSH discretamente elevado deve ser repetido antes de qualquer decisão, porque pode normalizar sozinho.

Hipotireoidismo e peso: mitos e fatos

Este é o ponto que mais gera expectativa errada.

Fato: o hipotireoidismo não tratado reduz o gasto energético e favorece retenção de líquido. O ganho de peso associado costuma ser modesto, na faixa de poucos quilos, e boa parte é água, não gordura.

Mito: “engordei 15 kg por causa da tireoide”. Um hipotireoidismo grave, não tratado por muito tempo, pode contribuir para um ganho maior, mas essa situação é incomum hoje. Na maioria dos casos, a tireoide contribui pouco e o ganho tem outras causas, como resistência à insulina, sono, alimentação e menopausa.

Fato: tratar o hipotireoidismo devolve o metabolismo ao normal, mas não emagrece por si. Quem já está com o TSH controlado e continua com dificuldade para emagrecer precisa investigar outras causas.

Mito: “tomar hormônio de tireoide ajuda a emagrecer”. Usar levotiroxina, ou T3, em quem não tem hipotireoidismo, ou em dose acima da necessária, é perigoso: causa arritmia, perda de massa óssea, perda de músculo e ansiedade. Não é tratamento para obesidade e não é praticado por endocrinologistas.

Na clínica, a calorimetria indireta ajuda a mostrar o gasto energético real de quem tem hipotireoidismo e a avaliação de composição corporal com Evolt 360 separa o que é água, gordura e músculo, o que orienta a conversa sobre peso com dados, não com suposições.

Tratamento: a reposição e o ajuste de dose

O tratamento do hipotireoidismo é a reposição com levotiroxina, uma versão sintética do T4, idêntica ao hormônio natural. É um dos tratamentos mais seguros e bem estabelecidos da medicina, mas exige alguns cuidados:

Como tomar.

Ajuste de dose.

Situações que exigem ajuste.

Sintomas persistentes com TSH normal. Uma parcela das pessoas segue com cansaço mesmo com o exame controlado. Nesses casos, investigamos outras causas (ferro, vitamina D, vitamina B12, sono, depressão, menopausa) antes de mexer na tireoide. A combinação de T4 com T3 é uma opção discutida em casos selecionados, com evidência ainda limitada.

Quando procurar uma endocrinologista

Como a Dra. Karline Campos conduz isso na prática

A tireoide é uma das áreas em que mais vejo diagnósticos feitos pela metade: TSH dosado uma vez, dose iniciada e nunca revisada. Na consulta, eu examino o pescoço, peço TSH, T4 livre e anticorpos quando indicado, e interpreto o resultado com o contexto: idade, sintomas, gestação, outros exames. Se a pessoa já trata, reviso como toma o remédio, porque o jejum e o intervalo de outros suplementos mudam tudo. Quando a queixa é o peso, uso a avaliação de composição corporal com Evolt 360 e a calorimetria indireta para separar o que é da tireoide do que é de outra causa, e trato as duas coisas. Atendo poucos pacientes por dia para fazer esse acompanhamento com atenção, nas unidades de Campo Grande, Barra da Tijuca e Recreio, no Rio de Janeiro, e em Indaiatuba, em São Paulo.

Dra. Karline Campos, endocrinologista · CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357

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Perguntas frequentes

Cansaço, sensibilidade ao frio, pele seca, intestino preso e queda de cabelo costumam ser os primeiros. São inespecíficos, por isso o diagnóstico depende do TSH e do T4 livre.

Causa ganho modesto de peso, em geral poucos quilos, com boa parte em retenção de líquido. Não explica obesidade sozinho. Tratar a tireoide normaliza o metabolismo, mas quem continua com dificuldade para emagrecer precisa investigar outras causas.

TSH acima da faixa de referência indica que a hipófise está estimulando a tireoide mais do que o normal, sinal de que ela está produzindo pouco hormônio. Deve ser interpretado junto com o T4 livre e, se discretamente alterado, repetido.

Não. A tireoidite de Hashimoto é uma doença autoimune crônica. Mas o hipotireoidismo que ela causa é totalmente controlável com a reposição hormonal, e a pessoa pode viver com qualidade de vida normal.

Não sem orientação. Sentir-se bem é sinal de que o tratamento está funcionando. Na maioria dos casos de Hashimoto, a reposição é para a vida toda. Suspender faz o TSH subir e os sintomas voltarem em algumas semanas.

Só se tiver doença celíaca ou sensibilidade ao glúten diagnosticada. Para as demais pessoas com Hashimoto, não há evidência consistente de que retirar o glúten melhore a tireoide. A prioridade é a reposição correta, o iodo adequado (sem excesso) e o selênio em níveis normais.

Referências

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Resultados variam de pessoa para pessoa.

Neste artigo

Dra. Karline Campos

Endocrinologista titulada pela AMB. CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357

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