Hormônios e Menopausa
Reposição hormonal masculina: como é feita e quais exames de acompanhamento
Por Dra. Karline Campos, endocrinologista · 7 min de leitura
A reposição hormonal masculina é o tratamento do hipogonadismo, a condição em que o corpo produz testosterona abaixo do necessário e isso causa sintomas. Ela pode melhorar muito a qualidade de vida de quem tem indicação. Mas não é um atalho para ganhar músculo, energia ou desempenho, e usada sem critério traz riscos reais. Neste artigo, você entende como o diagnóstico é feito, quais são as formas de reposição e quais exames acompanham o tratamento.
Em resumo
- A reposição só é indicada quando há sintomas compatíveis e testosterona baixa confirmada em pelo menos duas dosagens feitas pela manhã.
- Antes de começar, é preciso investigar a causa e checar contraindicações, como desejo de ter filhos em breve, hematócrito alto e alterações da próstata.
- As formas mais usadas são o gel aplicado na pele e as injeções intramusculares.
- O acompanhamento inclui dosagem de testosterona, hematócrito e, conforme a idade, PSA e exame da próstata.
- A testosterona usada de fora reduz a produção de espermatozoides.
- Pelas normas do CFM, hormônio não pode ser prescrito com finalidade estética, de desempenho ou antienvelhecimento.
Como é feito o diagnóstico
A diretriz da Endocrine Society de 2018 é clara: o diagnóstico de hipogonadismo exige duas coisas ao mesmo tempo.
1. Sintomas compatíveis
Os mais característicos são queda da libido, disfunção erétil e redução das ereções matinais. Cansaço, perda de músculo, gordura abdominal e humor deprimido também podem aparecer, mas têm muitas outras causas.
2. Testosterona baixa confirmada
A testosterona total deve ser dosada pela manhã, em jejum, e o resultado baixo precisa ser confirmado em uma segunda coleta. Isso porque os níveis variam ao longo do dia e podem cair temporariamente com doenças agudas, noites mal dormidas e estresse. Em algumas situações, como obesidade e alterações da proteína que transporta a testosterona (SHBG), a testosterona livre também é avaliada.
Investigar a causa
Confirmada a testosterona baixa, a dosagem de LH e FSH ajuda a saber se o problema está nos testículos ou no comando do cérebro. Obesidade, diabetes, apneia do sono, alguns medicamentos e uso prévio de anabolizantes estão entre as causas comuns, e várias delas melhoram com tratamento próprio.
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Quando a reposição não deve ser feita
Antes de iniciar, a diretriz recomenda checar situações em que a reposição não é indicada ou precisa de cautela:
- Desejo de ter filhos nos próximos meses.
- Câncer de próstata ou de mama.
- Nódulo na próstata ou PSA alterado sem investigação urológica.
- Hematócrito elevado.
- Apneia do sono grave sem tratamento.
- Infarto ou AVC recentes, ou insuficiência cardíaca descompensada.
- Histórico de trombose com fatores de risco não controlados.
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Como a reposição é feita
O objetivo é trazer a testosterona para a faixa normal, e não acima dela. A forma é escolhida conforme a rotina e o perfil de cada caso.
Gel transdérmico
Aplicado diariamente na pele, em regiões como ombros e braços, mantém níveis mais estáveis. O cuidado principal é evitar que mulheres e crianças da casa tenham contato com a pele antes de o gel secar, porque o hormônio pode ser transferido.
Injetável intramuscular
Há formulações de ação mais curta, aplicadas a cada uma ou duas semanas, e de ação prolongada, aplicadas a cada 10 a 12 semanas. As de ação curta podem gerar oscilação de disposição e humor entre as doses.
Em qualquer forma, a dose é ajustada pelos sintomas e pelos exames de controle.
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Exames de acompanhamento
Quem faz reposição precisa de monitoramento regular. De acordo com a Endocrine Society, os principais pontos são:
- Testosterona: dosada entre 3 e 6 meses após o início, para confirmar que está na faixa normal, e depois periodicamente.
- Hematócrito: medido antes de começar, entre 3 e 6 meses, com 1 ano e depois anualmente. Se passar de 54%, a reposição precisa ser suspensa ou ajustada, pelo risco de trombose.
- PSA e exame da próstata: para homens na faixa etária em que o rastreamento é indicado, antes de iniciar, entre 3 e 12 meses e depois conforme as diretrizes de rastreamento.
- Outros exames: perfil lipídico, glicose, função do fígado e densitometria óssea em casos selecionados.
Se os sintomas não melhorarem com níveis adequados, a indicação é revista.
Fertilidade: um ponto que muitos homens desconhecem
A testosterona aplicada de fora sinaliza ao cérebro que não é preciso produzir mais. Com isso, o cérebro reduz o estímulo aos testículos, e a produção de espermatozoides cai, podendo chegar a zero.
Por isso, homens que desejam ter filhos em breve não devem iniciar a reposição com testosterona. Nesses casos, existem outras estratégias que estimulam a produção do próprio corpo, discutidas caso a caso.
Os riscos do uso sem indicação
Usar testosterona sem deficiência confirmada, ou em doses acima do fisiológico, não é tratamento. É exposição a riscos:
- Aumento do hematócrito, que deixa o sangue mais espesso e eleva o risco de trombose.
- Infertilidade e redução do tamanho dos testículos.
- Acne, oleosidade e aumento das mamas.
- Piora do colesterol, principalmente com doses altas.
- Queda importante da produção própria ao parar, com sintomas de abstinência hormonal.
Em homens com hipogonadismo confirmado e acompanhamento adequado, um grande estudo publicado em 2023 não mostrou aumento de eventos cardiovasculares graves em comparação ao placebo, mas registrou mais casos de fibrilação atrial e embolia pulmonar. Isso reforça que a reposição exige indicação e monitoramento.
O CFM, pela Resolução 2.333/2023, veda a prescrição de hormônios com finalidade estética, de ganho de massa muscular, de melhora de desempenho ou antienvelhecimento.
Quando procurar uma endocrinologista
- Você tem queda de libido, disfunção erétil ou menos ereções matinais.
- Um exame mostrou testosterona baixa.
- Você usa ou já usou testosterona ou anabolizantes sem acompanhamento.
- Você faz reposição e não sabe quais exames precisa repetir.
- Você quer ter filhos e tem dúvida sobre o efeito da testosterona.
Como a Dra. Karline Campos conduz isso na prática
Na consulta, a Dra. Karline Campos, endocrinologista titulada pela AMB, confirma o diagnóstico com os critérios das diretrizes, investiga a causa da testosterona baixa e trata o que pode estar por trás, como obesidade, resistência à insulina e sono ruim. Quando a reposição é indicada, a forma, a dose e o calendário de exames são definidos com o paciente, e cada retorno confere sintomas, testosterona, hematócrito e próstata. Quando não há indicação, ela explica o motivo e propõe um plano para os sintomas.
Dra. Karline Campos, endocrinologista · CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357
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Perguntas frequentes
Uma única dosagem de testosterona baixa basta para começar a reposição?
Não. O resultado precisa ser confirmado em uma segunda coleta pela manhã, em jejum, e estar associado a sintomas compatíveis.
A reposição é para sempre?
Depende da causa. Em alguns casos, tratar obesidade, apneia ou suspender um medicamento recupera a produção própria. Em outros, a reposição é de longo prazo.
Quem faz reposição pode ter filhos?
A testosterona reduz a produção de espermatozoides. Quem quer ter filhos deve conversar antes de iniciar, porque existem outras estratégias.
Testosterona aumenta o risco de câncer de próstata?
Em homens com hipogonadismo e acompanhamento correto, os estudos não mostram aumento claro. Mas a reposição não é indicada para quem tem câncer de próstata, e o PSA faz parte do controle.
Posso usar testosterona para ganhar massa muscular?
Não. O uso com finalidade estética ou de desempenho é vedado pelo CFM e traz riscos à saúde.
Referências
- Bhasin S et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, 2018.
- Lincoff AM et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy. New England Journal of Medicine, 2023.
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.333/2023, que dispõe sobre a prescrição de terapias hormonais.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Resultados variam de pessoa para pessoa.
Neste artigo
Dra. Karline Campos
Endocrinologista titulada pela AMB. CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357
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