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Hormônios e Menopausa

Progesterona na perimenopausa: para que serve e quando usar

Por Dra. Karline Campos, endocrinologista · 8 min de leitura

Quando se fala em menopausa, o estrogênio costuma roubar a cena. Mas, para muitas mulheres, o primeiro hormônio a mudar é a progesterona, e essa mudança pode começar anos antes da última menstruação. Sono mais leve, ansiedade, TPM mais intensa e ciclos irregulares são queixas comuns dessa fase. Neste artigo, você entende o que a progesterona faz, por que ela cai, quando a reposição faz sentido e qual a diferença entre os tipos disponíveis.

Em resumo

O que é a progesterona e para que ela serve

A progesterona é um hormônio produzido pelo ovário na segunda metade do ciclo menstrual, depois da ovulação. Sua principal função é preparar o endométrio, a camada interna do útero, para uma possível gestação. Se a gestação não acontece, a progesterona cai e a menstruação vem.

Além do útero, ela atua em outros tecidos. No cérebro, um dos produtos da sua transformação age em receptores ligados ao relaxamento e ao sono. É por isso que muitas mulheres percebem que dormem pior e ficam mais ansiosas quando a progesterona está baixa.

Por que ela cai antes do estrogênio

A perimenopausa é a fase de transição que antecede a última menstruação. Ela pode durar alguns anos e costuma começar na faixa dos 40, às vezes um pouco antes.

Nessa fase, os ovários passam a ovular de forma menos regular. Sem ovulação, não há produção adequada de progesterona naquele ciclo. Enquanto isso, o estrogênio pode oscilar bastante, com picos altos e quedas bruscas. O resultado é um desequilíbrio temporário: estrogênio variando muito e progesterona mais baixa.

Vídeo da Dra. Karline Campos

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Assista aqui mesmo, sem sair do artigo.

Sintomas que podem ter relação com a progesterona baixa

Nenhum sintoma é exclusivo da progesterona, mas alguns são bem frequentes nessa fase:

Sangramento muito aumentado ou fora de hora precisa sempre ser investigado, porque pode ter outras causas, como miomas, pólipos ou alterações do endométrio.

Dosar progesterona no sangue raramente resolve a dúvida nessa fase, porque os níveis variam muito de um ciclo para outro.

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Proteção do endométrio: a função mais importante na terapia hormonal

Quando uma mulher que tem útero usa estrogênio na terapia hormonal, o endométrio é estimulado a crescer. Sem um contrapeso, esse estímulo aumenta o risco de hiperplasia e de câncer de endométrio.

A progesterona, ou um progestagênio, é esse contrapeso. Por isso, as diretrizes são claras: mulheres com útero que usam estrogênio sistêmico precisam associar um progestógeno em dose adequada. Mulheres que retiraram o útero, em geral, não precisam.

Uma alternativa em alguns casos é o dispositivo intrauterino com levonorgestrel, que protege o endométrio localmente e também pode ajudar a controlar sangramentos intensos da perimenopausa.

Cremes de progesterona aplicados na pele, muitas vezes manipulados, não garantem proteção do endométrio, porque a absorção é imprevisível. The Menopause Society não recomenda o uso de hormônios manipulados como substitutos das formulações aprovadas.

Progesterona micronizada x progestagênios sintéticos

Progesterona micronizada

É a progesterona com estrutura idêntica à produzida pelo ovário, em partículas bem pequenas para melhorar a absorção. Costuma ser usada à noite, porque pode dar sonolência, o que para muitas mulheres é até uma vantagem. Estudos observacionais sugerem que, associada ao estrogênio, ela tem um perfil mais favorável para mama e trombose do que alguns progestagênios sintéticos, embora esses dados ainda não venham de grandes ensaios clínicos.

Progestagênios sintéticos

São moléculas criadas em laboratório que imitam a ação da progesterona no útero. Existem vários tipos, com efeitos diferentes sobre humor, retenção de líquido e colesterol. Em certas situações, como contracepção e controle de sangramentos, são a melhor escolha.

Qual é melhor?

Depende do objetivo. Proteger o endométrio, controlar sangramento, precisar de contracepção e tratar sintomas são objetivos diferentes. A progesterona micronizada, por exemplo, não funciona como anticoncepcional, e a mulher na perimenopausa ainda pode engravidar.

Quando a progesterona é indicada

De forma geral, ela entra no plano em três situações:

A decisão considera idade, fase hormonal, sintomas, histórico pessoal e familiar, contraindicações e preferência da paciente. A progesterona não é tratamento para emagrecer, nem para rejuvenescer, e o uso de hormônio só se justifica quando existe indicação clínica. Saiba mais sobre o cuidado nessa fase em menopausa e reposição hormonal.

Quando procurar uma endocrinologista

Como a Dra. Karline Campos conduz isso na prática

Na consulta, a Dra. Karline Campos, endocrinologista titulada pela AMB, investiga o padrão dos ciclos, os sintomas, o sono e o histórico pessoal e familiar, e solicita os exames que ajudam a entender a fase hormonal e a afastar outras causas. Quando a terapia hormonal faz sentido, a escolha do tipo de progestógeno, da dose e da via é feita junto com a paciente, com os benefícios e riscos explicados com clareza. Quando não faz, o plano segue com estratégias não hormonais para sono, humor e metabolismo.

Dra. Karline Campos, endocrinologista · CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357

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Perguntas frequentes

Em algumas mulheres, sim. A progesterona micronizada tomada à noite pode causar sonolência e melhorar a qualidade do sono. Mas insônia tem muitas causas, e ela não deve ser usada como remédio para dormir sem indicação.

Em geral, não. A principal função da progesterona na terapia hormonal é proteger o endométrio. Sem útero, costuma-se usar só o estrogênio, salvo situações específicas.

A progesterona micronizada não costuma causar ganho de peso significativo. Alguns progestagênios sintéticos podem causar retenção de líquido e inchaço. O ganho de peso da perimenopausa tem mais relação com músculo, sono e metabolismo.

Não é recomendado como forma de proteger o endométrio, porque a absorção pela pele é imprevisível. As formulações aprovadas têm dose e efeito conhecidos.

Raramente. Os níveis mudam muito de um ciclo para outro. O diagnóstico da perimenopausa se baseia na idade, no padrão dos ciclos e nos sintomas.

Referências

Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Resultados variam de pessoa para pessoa.

Neste artigo

Dra. Karline Campos

Endocrinologista titulada pela AMB. CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357

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