Hormônios e Menopausa
Menopausa: sintomas e quando procurar uma endocrinologista
Por Dra. Karline Campos, endocrinologista · 9 min de leitura
Menopausa é a última menstruação, confirmada depois de 12 meses sem sangrar, geralmente entre 45 e 55 anos. Mas os sintomas começam anos antes, na perimenopausa, quando a progesterona cai primeiro e o estrogênio oscila: ciclos irregulares, sono ruim, ansiedade, calor, ganho de gordura abdominal e queda de disposição. Uma endocrinologista avalia esses sinais, pede os exames certos e indica, quando faz sentido, a terapia hormonal individualizada.
Em resumo
- Menopausa é um marco (12 meses sem menstruar); perimenopausa é a fase de transição, que pode durar de 4 a 8 anos.
- A progesterona cai antes do estrogênio. Por isso insônia, ansiedade e ciclos irregulares aparecem antes das ondas de calor.
- Sintomas comuns: calor, suor noturno, sono fragmentado, irritabilidade, "névoa mental", dor articular, ressecamento vaginal, ganho de gordura no abdômen.
- Os exames não servem para "diagnosticar a menopausa" em mulheres acima de 45 anos com sintomas típicos; servem para avaliar a saúde metabólica e afastar outras causas.
- A terapia hormonal é individualizada: tipo de hormônio, via, dose e momento dependem do perfil de cada mulher.
Menopausa, perimenopausa e climatério: o que significa cada termo
Menopausa é um único dia: o da última menstruação. Ela só é confirmada em retrospecto, depois de 12 meses seguidos sem sangramento. No Brasil, a idade média fica em torno dos 48 a 50 anos. Antes dos 40, chama-se insuficiência ovariana prematura e exige investigação específica.
Perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa e vai até um ano depois dela. Pode começar aos 40, ou até antes, e durar vários anos. É nessa fase que a maioria dos sintomas aparece, e é também a fase mais confusa, porque a mulher ainda menstrua e muitas vezes ouve que “ainda é cedo para ser menopausa”.
Climatério é o termo amplo para toda a transição, da perimenopausa até a pós-menopausa.
Por que a progesterona cai antes
O ovário produz dois hormônios principais: estrogênio e progesterona. A progesterona é produzida na segunda metade do ciclo, depois da ovulação. Quando os ovários começam a envelhecer, a ovulação fica irregular. Sem ovulação, não há progesterona naquele mês.
Isso acontece anos antes de o estrogênio cair de forma consistente. O resultado é um período em que a mulher tem estrogênio ainda normal ou até alto em alguns ciclos, com progesterona baixa. Esse desequilíbrio explica os sintomas iniciais:
- Sono fragmentado, dificuldade para pegar no sono ou acordar de madrugada (a progesterona tem efeito calmante no cérebro).
- Ansiedade, irritabilidade e sensação de "pavio curto".
- Ciclos mais curtos, depois mais longos e irregulares.
- Menstruações mais intensas.
- Inchaço e sensibilidade nas mamas.
Só depois, quando o estrogênio despenca, aparecem as ondas de calor, o suor noturno e o ressecamento vaginal.
Vídeo da Dra. Karline Campos
Menopausa não precisa ser sinônimo de sofrimento
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Sintomas da perimenopausa e da menopausa
Os sintomas variam muito. Algumas mulheres passam pela transição com pouco desconforto; outras têm a vida afetada por anos. Os mais frequentes:
Vasomotores
- Ondas de calor (fogachos), com rubor no rosto e no colo.
- Suor noturno, às vezes com necessidade de trocar de roupa.
- Palpitações.
Sono e humor
- Insônia, sono leve, despertar precoce.
- Ansiedade, irritabilidade, sintomas depressivos.
- Dificuldade de concentração e memória, a chamada "névoa mental".
Corpo e metabolismo
- Ganho de peso, com gordura concentrada no abdômen, mesmo sem mudar a alimentação.
- Perda de massa muscular e de força.
- Dores articulares e musculares.
- Pele mais seca e fina, cabelo mais fino.
Genitourinários
- Ressecamento vaginal, dor na relação sexual.
- Infecções urinárias de repetição, urgência para urinar.
- Queda da libido.
Outros
- Cansaço sem explicação.
- Piora de enxaqueca.
- Piora de sintomas em mulheres com lipedema.
Quer entender o seu caso com uma endocrinologista?
Quais exames fazer
Um ponto que gera muita dúvida: não é preciso dosar hormônios para “confirmar” a menopausa em mulheres acima dos 45 anos com sintomas típicos e ciclos irregulares. O FSH (hormônio folículo-estimulante) e o estradiol oscilam muito na perimenopausa e um único resultado pode enganar.
Os exames têm outra função: avaliar a saúde geral e afastar outras causas dos sintomas. A endocrinologista costuma pedir:
- TSH e T4 livre, porque doenças da tireoide imitam sintomas da menopausa.
- Glicose, insulina e hemoglobina glicada, para identificar resistência à insulina, que aumenta nessa fase.
- Perfil lipídico, porque o colesterol tende a subir com a queda do estrogênio.
- Vitamina D, cálcio e, quando indicado, densitometria óssea, pela perda de massa óssea.
- Hemograma e ferritina, principalmente em quem tem sangramento intenso.
- Mamografia e exame ginecológico em dia, obrigatórios antes de discutir terapia hormonal.
- FSH e estradiol em situações específicas: mulheres com menos de 45 anos, histerectomizadas ou com dúvida diagnóstica.
Na clínica, somamos a avaliação de composição corporal com Evolt 360, que mostra objetivamente a redistribuição de gordura para o abdômen e a perda de músculo, e a calorimetria indireta quando o ganho de peso é a queixa principal.
Terapia hormonal individualizada: o que significa
A terapia hormonal da menopausa (TH) é a reposição do estrogênio, com ou sem progesterona, para tratar os sintomas e proteger os ossos. Ela é o tratamento mais eficaz para as ondas de calor e para os sintomas genitourinários, e melhora sono, humor e qualidade de vida em muitas mulheres.
“Individualizada” não é uma palavra de marketing. Significa que a decisão leva em conta:
- Momento. O benefício é maior quando a TH começa antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos após a menopausa.
- Tipo de hormônio. Estradiol (idêntico ao produzido pelo ovário) e progesterona micronizada têm perfil de segurança diferente de hormônios sintéticos mais antigos.
- Via. O estrogênio pela pele (gel ou adesivo) não passa pelo fígado na primeira passagem e tem menor risco de trombose que o comprimido.
- Dose. A menor dose que controla os sintomas.
- Se há útero. Mulheres com útero precisam de progesterona para proteger o endométrio.
- Contraindicações. Câncer de mama atual ou prévio, trombose ativa, sangramento vaginal sem causa esclarecida, doença hepática ativa, infarto ou AVC recentes.
A progesterona sozinha, em algumas mulheres na perimenopausa com sono ruim e ciclos irregulares, já é uma opção antes de o estrogênio ser necessário.
Mulheres que não podem ou não querem usar hormônios têm alternativas: medicações não hormonais para calor, tratamento vaginal local, ajustes de sono e exercício.
O que muda no peso e no músculo
A queda de estrogênio muda onde o corpo guarda gordura: do quadril e das coxas para o abdômen, incluindo a gordura visceral, entre os órgãos. Ao mesmo tempo, a massa muscular cai mais rápido, e com ela o gasto energético de repouso.
Isso explica a frase que ouvimos todos os dias: “não mudei nada e engordei”. Não é impressão. O tratamento passa por proteína adequada, treino de força, sono e, quando indicado, correção da resistência à insulina e terapia hormonal.
Quando procurar uma endocrinologista
- Você tem mais de 40 anos e seu sono, humor ou ciclo mudaram sem explicação.
- Sente calor, suor noturno ou palpitações.
- Ganhou gordura no abdômen sem mudar a alimentação.
- Sente que perdeu força e massa muscular.
- Tem ressecamento vaginal ou queda da libido.
- Quer saber se pode usar terapia hormonal e ouviu opiniões contraditórias.
- Tem histórico familiar de osteoporose, diabetes ou doença cardiovascular.
- Menstruação parou antes dos 40 anos.
Como a Dra. Karline Campos conduz isso na prática
Menopausa não é doença, mas o que acontece com o metabolismo nessa fase merece acompanhamento. Na consulta, eu quero entender seus sintomas em detalhe, porque cada um deles conta uma parte da história hormonal. Peço os exames que realmente ajudam, faço a avaliação de composição corporal com Evolt 360 para saber onde a gordura e o músculo estão mudando, e discuto com você, com calma, se a terapia hormonal faz sentido, qual tipo, qual via e por quanto tempo. Não existe protocolo pronto; existe a sua história. Atendo poucos pacientes por dia para ter esse tempo, nas unidades de Campo Grande, Barra da Tijuca e Recreio, no Rio, e em Indaiatuba, no interior de São Paulo.
Dra. Karline Campos, endocrinologista · CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357
No canal da Dra. Karline Campos
Se você tem uma mulher entre 35 e 55 anos na sua vida, esse vídeo é para você
Perguntas frequentes
Quais são os primeiros sintomas da menopausa?
Os primeiros sinais costumam ser da perimenopausa: sono pior, ansiedade, irritabilidade, ciclos mais curtos ou irregulares e inchaço. As ondas de calor geralmente vêm depois, quando o estrogênio cai.
Com que idade começa a menopausa?
A menopausa acontece em média entre 48 e 50 anos no Brasil, com variação normal entre 45 e 55. A perimenopausa pode começar por volta dos 40. Antes dos 40, chama-se insuficiência ovariana prematura e precisa de investigação.
Qual médico procurar na menopausa: ginecologista ou endocrinologista?
Os dois podem conduzir a terapia hormonal. A endocrinologista tem foco no metabolismo: peso, gordura visceral, resistência à insulina, tireoide, ossos e massa muscular. Muitas mulheres se beneficiam de ter as duas especialistas.
Preciso fazer exame de sangue para saber se estou na menopausa?
Acima dos 45 anos, com sintomas típicos e ciclos irregulares, não. O diagnóstico é clínico. Os exames servem para avaliar a saúde metabólica e afastar outras causas, como tireoide.
Terapia hormonal engorda?
Não. Os estudos mostram que a terapia hormonal não causa ganho de peso e pode ajudar a reduzir o acúmulo de gordura abdominal típico da menopausa. O ganho de peso nessa fase tem outras causas, que também precisam ser tratadas.
Quanto tempo duram os sintomas da menopausa?
Varia muito. As ondas de calor duram em média alguns anos, mas em parte das mulheres persistem por mais de uma década. Sintomas genitourinários tendem a piorar com o tempo sem tratamento.
Referências
- Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Manuais e posicionamentos sobre climatério e terapia hormonal.
- Associação Brasileira de Climatério (SOBRAC). Consenso sobre terapêutica hormonal da menopausa.
- The Menopause Society (antiga NAMS). Hormone Therapy Position Statement, 2022.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Resultados variam de pessoa para pessoa.
Neste artigo
Dra. Karline Campos
Endocrinologista titulada pela AMB. CRM-RJ 52.87706-9 · RQE 29357
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